CAIXA DE PANDORA

Tortura-Pau-de-Arara

O sangue ainda escorre

viscoso

dos porões e masmorras que não saíram de 1964

preso no espaço e no tempo

sofrendo constantemente as mesmas torturas:

ecos de 1964

os paus-de-arara

cadeiras do dragão

palmatórias

censura

toques de recolher

e a tendência homicida de quem executa com o respaldo do estado

jazem tranquilos

no fundo de uma sinistra caixa de pandora

todos prontos

para, no primeiro sinal de comando,

violentarem as macias carnes hediondas

de quem ousa contrariar os donos do poder

o silêncio é sepulcral na superfície

o inferno, não o do diabo, mas o dos donos das fardas, está no subterrâneo

das cidades povoadas pelas famílias de bem.

 

  • Lucas Carniel
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