meu corpo bomba

corpo que ginga com maestria e desenvoltura nas esteiras eletrônicas estáticas. não tenho velocidade preterida. sou um músculo explosivo e reconstitutivo. tenho lutas e vidas urgentes que disparam contra burocracias decadentes. não estou interessado em contingências. abaixo às penitências. eles desconversam, é verdade, falam sobre desvios de interesses. falam de si?  dialogam com quem? eles não sabem conversar com corpos em intransigente conversão de multiplicidades ardentes e inventivas. porque aqui, em ti e em mim, não se sabe quem inventa o que. já repararam na cara patética que fazem? pães mofados. é muita estupidez barata. discursos esgotados de quadrados. nos poupem destas arestas. não suportam o nosso esfregar de vozes em suas maquiagens em desalinho? aqui, no meu corpo e no teu, transformamos espaços fechados em rua. a rua nua. rua dos nus. rua do outro e não do nós. chega de nós. a rua, tenho pra mim, tenho em mim, é todo lugar. pode e deve ser criada e recriada em todo lugar. este discurso babão que entope as nossas paciências de risos não tem qualquer ingrediente de rua. a rua é o campo expandido das experiências de enfrentamento. as mais impossíveis e imperceptíveis também. extrovertidas e introvertidas. ferida de possibilidades. nada de remédios pervertidos. estamos em estado de contra-indicação. não nos suportam. não aguentam. descredibilizam. deslegitimam. a gente regurgitam tudo isso, todos eles. somos xamãs urbanos e estamos cuidando de nosso próprio aparecimento. e como tal, nos colocamos agressivos contra todo desagrado. uma coletividade: bomba do desacato. disso entendemos bem. o grito é linguagem desprovida de gramática. deuses do asfalto com nossos pés. aqui não tem ninguém. aqui só tem selvagem e estamos tresloucados de agressividade poética. vândalos. terroristas. chama do que quiser. vem pra cá, deixa a gente te devorar em todos os pedaços. não é simples oferecer pedaços. vocês ignoram, é claro. mas a gente é do tipo que goza em qualquer lugar. e meu corpo, a cada dia que bebe,  se embebeda da vontade de mutar. e a cada dia que pensa, eu passo a me transfigurar. é que com toda essa seca que a tudo aflige, meu corpo reage e se rebela em um imenso coquetel de explosões molotov.

artur dória

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