Tristessa – Pedro Poker

Existe um fantasma dentro de mim
que engole vômito para me corroer.

Ele é como a neblina narcótica-solitária
sobre os prédios
ou como eu escrevendo
sentado na privada as 2:03 da manhã.

Obsessivo, me visita todos os dias
(agora um pouco mais que sempre)

me acorrenta e não permite que eu fuja
de mim mesmo.

Seu sangue é meu sangue
e sua história é minha história,
diante dele, seu espelho mortal
segrega minha alma.

As vezes, Ele me dá a falsa ilusão
de que consigo vencê-lo
com todos esses meus sorrisos forjados,
mas ele grita lá de dentro
e calmamente canta dramático
pois sabe que não posso evitar.

Se ele tivesse um cheiro
seria do esgoto que sobe pelo ralo
e me causa náusea.

Se ele tivesse olhos
(para quem pode ver)
seriam como os meus.

Todo espaço vazio
é preenchido com seus
dentes aniquiladores.

A esperança que não passa de
uma descarga mal-dada é
um fio-de-cabelo
na mesa da cozinha.

Qualquer página rasgada e
Qualquer copo quebrado e
Qualquer árvore no outono,
seriam representações fiéis
de meu fracasso eminente.

Fantasma cujo os olhos são mil janelas cegas.
Fantasma cuja originalidade é toda minha.
Fantasma cujo feito é a morte sem sangue.
Fantasma cuja boca é um bule de dor corrente.

Fantasma, que me acompanha
até minha morte.

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