poeticamente daninho

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cada ação é um levante

e um levantamento de pesos

e tenho tantas

porém guardadas

em segurança

fadadas a permanecer fabulares

dentro das palavras  confabulares

do meu sujo caderno de anotações.

pura carcaça de covardias

nada mais óbvio.

alguma queimada, por favor

é só o que peço

devaste esse terreno

de todos os seus hectares

carcomidos de pretensa vegetação linguística.

é que um solo devastado

é lugar propício

para a emergência de um ser poeticamente daninho.

deixem-no  trabalhar em seus melhores versos

são raízes-palavras

duras e fundas

que descompactam o solo

e o ressuscitam de sua bulimia.

ser brocador

cultivador sulcos

devorador de aridez

frutificador rastros.

ouço o seu manejo

ele bate punheta no subsolo

é a única saída

a considerar esta pobreza bacanal.

seu texto

em contexto

é fúria

e escoa por qualquer canto.

seu caminho é o das fendas

são as veias da terra

que gritam

e pedem socorro

aos mitos antigos

este que vem

é o xamã do solo.

Artur Dória

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