as tetas

feminismo_04

por umas quatro da tarde de uma segunda-feira

porque quente

mormacenta

e porque deu-lhe na veneta

liberou as tetas

do bojo apertado de um sutiã sem sentido

a vida enrustida, escravizada, ganhou um novo sabor

da brisa preguiçosa arrepiando-lhe os mamilos

[o direito antes do esquerdo, sempre]

ah! que delícia sentir o vento que nascia detrás dos montes

acariciar-lhe, como que cultuando a maravilha de seu corpo

tinha estrias, é verdade, mas o vento não ligava pra isso

eram lindas marcas de uma vida bem vivida

dava-lhe as boas-vindas

liberou as tetas não porque

quisesse sexualizar-se

para os machos de plantão

afinal

sexualizada foi pelos outros

desde menina

e não por vontade própria

ela era ela mesma

não tinha culpa de entumecer os paus alheios por conta de um patriarcado tolo

e conservador dos homens de bem

[ah, os homens de bem, sempre os homens de bem]

mas porque as tetas eram suas

e assim era como queria que elas ficassem

livres

tomando sol

sem panos

sem vergonha

sem nada

o corpo era seu

assim como as tetas

que ficariam livres

apesar da maledicência alheia

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