Segunda Feira – Saulo Matos

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saí de casa em uma manhã
dessas que não esperamos
nada do mundo
e nem ele de nós,
apenas a “boa” e velha
rotina,
estúpida, zen
incolor e escrota,
mais uma porcaria
de uma manhã
de segunda feira.

estava semi acordado
quando uma senhora passou alvoroçada
em seu velho vestido de lã,
as tetas pulavam de forma
completamente desordenada
e era curioso ver
logo de cara
assim, de supetão
a gravidade
trabalhando de forma
tão impactante.

ela gesticulava e esperneava
feito pastor de igreja evangélica
“o céu está desabando,
é o fim de todas as coisas”.
até que um homem
de porte mediano,
trajando um terno cinza
e gravata preta,
acertou um soco
bem no pau do nariz
da coroa
que caiu
como um saco de bosta
em câmera lenta,
e o homem gritou
arremessando sua maleta
contra a pobre coitada
que tentava se reerguer
“foda-seee!”.

olhei ao redor e a baderna
estava armada,
só então acordei por completo.
assaltavam as lojas,
estupravam homens,
mulheres e crianças
ao ar livre,
alguns transavam
em móveis de lojas
e ejaculavam
nos abajures,
não me perguntem por quê.

o céu
estava em chamas,
labaredas laranjas e
azuis se chocavam
em uma guerra
que parecia
um acasalar
selvagem
na relva africana,
violento e prazeroso,
criando raios púrpura
que cortavam
prédios ao meio,
uma obra de arte
que ninguém ousou
nem esboçar.
voltei para casa,
peguei minha arma
e saí novamente,
recolhi um pouco de gasolina
em um posto próximo,
atirei em quatro estupradores
que violentavam uma menina
que não devia ter nem quinze anos
e depois atirei nela,
pobre coitada,
ela me olhava em súplica
e com uma vergonha
que doeu
em minha alma,
nós, homens éramos
o que havia de pior
no mundo e naquele
momento, fiquei
feliz pelo fim
vindouro.

andei mais alguns quarteirões
sem maiores problemas.
entrei no banco que
costumava fazer
minhas transações
e comecei
a despejar gasolina em tudo,
ninguém fez nada
além de me observar com
indiferença,
acendi meu cigarro com
um fósforo e
incendiei a porra
daquele banco maldito
com todo mundo lá
dentro,
pois ninguém
teve a brilhante ideia
de correr quando
comecei a despejar
gasolina em tudo,
melhor assim,
eles não mereciam
presenciar a beleza
do final absoluto.

caminhei até um bar próximo
e achei lindo o fato de que
no meio do caos na terra
todos os bares
continuavam abertos
e pareciam estar abertos
só para mim, quase chorei.
comecei a beber e a fumar
como se não houvesse amanhã
(e não haveria),
tirei toda minha roupa
e fiquei sentado
com o rabo na calçada
fria e suja
segurando minha
automática.

apalpei algumas
bundas assustadas
que passavam chorando
e me masturbei pra uma
loira que estava
amando ser enrabada
por cinco caras
do outro lado da rua,
mas não consegui
gozar,
fiquei vislumbrando toda
aquela loucura crua,
horrorizado e até
um pouco encantado
com o “despertar” tardio
do homo “sapiens”.
estávamos todos ali,
vivendo o resto nossas vidas
esperando pelo que viria depois.

o fim havia chegado
finalmente,
e ninguém nunca esteve
certo sobre ele!
nem sobre quando,
nem como,
mas eu sempre soube que ele
aconteceria em uma segunda feira.

– Saulo Matos

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