Suspiro do inverno

formigas

Crédito: duarterego.blogspot.com

Restos de orvalho gotejam do varal respingando calmamente na relva o

último suspiro do inverno

a neblina quase borra a imagem da labuta diária

formigas em fila indiana equilibram-se sobre o fio metálico do arame

rezando para não serem a próxima refeição de pardais tocaiados nas árvores

ébrios remanescentes da madrugada ainda lutam contra o começo da ressaca

em vão agarram-se às últimas garrafas de vinho, violentadas, neutras, vazias de líquido e de sentido refratando uma realidade nua e distorcida

o bucolismo e o urbanismo unidos sobre a ótica do meu olhar perdido e desorientado

a imagem matinal é bela no limite de sua melancolia

se eu cresse pediria a Deus para eternizar essa imagem

Envergo a espinha e aponto o nariz adunco, cravejado, para o horizonte

enquanto saboreio o resto do café da manhã perdido entre os molares

O sabor da vida, indiscutivelmente, está nos detalhes

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s