A verdade está lá fora – Saulo Matos

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começar é quase sempre complicado,
todo mundo sabe (sabe?)
as vezes as palavras
não estão lá,
parece que sua alma
também não está
tão ai pra você
quanto você outrora
achou.

as vezes você simplesmente
não tem o dom momentaneamente
ou algo impregnado no seu
sangue tenta de convencer
que sua fonte secou,
mas o oásis está
lá,
escondido em algum lugar
da sua miragem
desértica.

mas basta viver,
digo viver
e não enfeitar
a terra pros outros,
e a vida te
diz, sussurra
e seduz,
guia sua mão
a força
para que
alcance as letras
perdidas
e as frases não ditas.

talvez seja só comigo,
sou um “escritor”
preguiçoso,
dá pra perceber
de longe,
pois vivo para
escrever e não
o contrário,
inventar histórias
de pessoas inventadas
em circunstâncias
inventadas
é tão fascinante
quanto é falso.
todas as histórias
estão soltas
por ai,
aguardando
alguém
para ser consumido
por elas,
e eu me jogo
de cara
pescando
as poesias
e contos
no ar,
não preciso
inventar.

a rua me mostra
o que essa máquina
as vezes cisma em
ocultar,
e escrevo o que
vejo
e o que vejo
é vida
de verdade
e não as
versões maquiadas
que proliferam
feito as dez pragas
do Egito.

vejo as rachaduras,
as cicatrizes,
rugas e verrugas
que os marionetistas
corcundas do mundo
tentam esconder
de nós.

o que eu vejo é vida,
sangue e suor
e é tudo tão lindo
quanto é possível ser.

Saulo Matos

Créditos do título: Arquivo X

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