Porra Jack! – Saulo Matos

little-zee-110924-59
as janelas fecharam,
as cortinas também,
o sol partiu sem
cerimônia e a lua
não fazia tanta graça
como antigamente.

a geladeira estava vazia,
o maço estava vazio
e todas as guimbas
fumadas até o filtro,
não davam direito
nem de uma ultima tragada
na madrugada de quinta.

a luz havia acabado
e por incrível que pareça
a cidade estava em silêncio
absoluto e na completa
escuridão,
algo muito desastroso
ou muito mágico estava
prestes a acontecer.

zanzei pela casa
tamborilando as paredes
pensando em uma cerveja
bem gelada.
agarrei uma garrafa
que estava
aos meus pés,
enchi de água
e deixei a imaginação
fazer o resto,
mas não funcionou
por muito tempo.

depois do breve delírio
alcoólatra
percebi que
meu gato havia me abandonado
mais uma vez,
aquele peludo desalmado.
até ai tudo bem,
isso acontecera outras
vezes,
mas então desabei
ao perceber que Jack
(o cachorro)
também havia partido
sem deixar nenhuma
mensagem para trás,
era o fim.

então olhei para os
lados e para o céu
e para o chão
não havia mais nada,
não havia mais ninguém,
além da escuridão e do
silêncio que insistiam
em me fazer companhia.
não havia mais nada
nem ninguém,
então me abandonei
também,
mas não antes
de deixar este
poema para trás,
ao contrário
de Jack.

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