Notas de viagem – NY

As pessoas aqui em New York são muito diferentes umas das outras, e é por isso que eu enxergo essa cidade como o centro do mundo, do sincretismo cultural.
Vi um velho jamaicano usando um gorro com as cores do reggae, ao lado de um chinês branquelo, com um micro short da nike, daquele modelo “running”. Ali estava um contraste das diferentes culturas. Um era exatamente o oposto do outro e ninguém ao redor se importava.
É ai que se vê a forca do vinculo da família em um pais como esse. Ninguém se importa com o outro, mas se fosse o jamaicano da mesma família do chinês, ou o chinês da família do jamaicano, um trataria o outro como uma decepção vergonhosa. Interessante. Bizarro, mas, interessante.
Outra coisa curiosa: os negros americanos odeiam os brancos numa visão geral, mas os negros inseridos na moda não, os padrões de modelos da moda são comumente brancos, eles amam a moda, e por isso amam os brancos. Conclusão: a moda é branca.
Tinha conversado com um egípcio mais cedo. Ele me ofereceu um cartão escrito “Deus esta voltando”, disse “não, obrigado”, mas ele insistiu “é de graça”. Estranhando algo de graça por aqui, resolvi aceitar para não fazer a desfeita.
Depois de um tempo resolvi voltar, ele parecia uma boa pessoa. Disse; “ei cara, obrigado pelo papel”. Ele me abraçou, bateu no peito e disse “isso é o amor”. O abracei novamente e disse “sim, é isso”. E ele me contou sobre o Egito, sobre New York e sobre o quanto ama o futebol Brasileiro, citando nomes como Roberto Carlos, Ronaldo, e… Dunga. Respondi que o povo pega no pé dele como treinador da seleção, e ele ficou decepcionado. Coitado, parecia fã do Dunga.
Apertamos as mãos, disse que foi um prazer, e parti, após ver nele um sorriso no rosto.
Achei engraçado que ninguém o via ali, mas a partir do momento que eu, um rapaz branco e jovem e heterossexual, parei para conversar com um imigrante negro ilegal e nos abraçamos, todos olharam desconfiados, com um ar de julgamento. Queriam dizer “ei, que porra você estava fazendo?”, mas eu também não dava a mínima pra eles. Entendi como um sinal de que todos nós existíamos realmente.
“Isso é amor, deve ser” pensei, repetindo em minha cabeça o que o rapaz egípcio disse alguns minutos atrás.

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