Diários de viagem – Parte 3 – Cochabamba, La Paz e Isla del Sol

Pra quem perdeu as outras partes: Parte 1 Parte 2

Chegamos a Cochabamba como esperado, por volta das 4h da manhã, e já pudemos ver que a cidade era bem limpa e organizada, pelo menos num primeiro momento, lembrou uma grande cidade brasileira qualquer. Iriamos ficar em Tiquipaya, uma cidade que fica na região metropolitana. Um táxi do terminal de Cochabamba até a casa de nosso amigo, que nos abrigaria por uns dias em Tiquipaya, numa corrida de quase 20 minutos na madruga, saiu por 40 bolivianos, algo entre 16 e 17 reais, realmente muito barato. Essa parte da viagem serviu para descansarmos um pouco e a Gabi se recuperar da intoxicação alimentar. Bruno, nosso amigo, estuda medicina lá, e nos apresentou mais uma legião de brasileiros que foram para lá em busca de um futuro melhor para eles e suas famílias. Aqui, cabe um ponto de reflexão. Enquanto no Brasil, um curso de medicina, não sai por menos de 5 mil reais, lá custa entre 150 e 250 dólares, algo como 500 e 900 reais, agora com a terrível desvalorização da nossa moeda. Por que tão barato? Não tenho certeza, mas acredito que seja por não haver um cartel de médicos querendo manter a profissão apenas para quem tem grana. Deve ter gente que não quer ver o cara de família humilde, lá do interior do nordeste, estudando medicina. Para exercerem a profissão no Brasil, depois de formados, eles precisam passar por um exame, o Revalida, exame esse que reprova cerca de 95% dos que prestam a prova, e muitos dos médicos formados no nosso próprio país não passariam caso prestassem a mesma. Enquanto isso, eles podem exercer a profissão em qualquer outro país da América do Sul de maneira bem mais simples. Lá nos contaram também que a criminalidade é muito grande, principalmente assalto na saída das faculdades, e outro problema são os “rateiros”, que são os batedores de carteira, inclusive o Bruno teve seu celular roubado na “Cancha” de Cochabamba, que seria uma espécie de mercado público ou coisa do tipo, onde você compra de carne a computadores. Ele nos levou também em um lugar com cerveja quase barata (10 bolivianos a garrafa de 600 ml), música ruim, e quase todos os estudantes de medicina brasileiros de Cochabamba. Finalmente eu pude tomar meu primeiro porre na viagem, ouvir várias histórias bacanas, e conhecer uma galera que tá na correria por um futuro melhor. Descobri também que sou parecido pra caralho com Dorgival Dantas.

De Cochabamba seguimos para La Paz, numa viagem tranquila, sempre comprando a passagem mais barata possível e indo entre “cholas”, crianças chorosas e vez ou outra algum pequeno animal, tipo gato ou papagaio, nada de porcos e galinhas, galinha só frita, e muito boa por sinal. Chegamos na madruga em La Paz, e tava frio pra cacete. Tivemos que comprar luvas e optamos por esperar o dia começar a clarear para ir para algum hostel. Do terminal tomamos um taxi para a Plaza Murilo, centro do poder boliviano. Acabamos indo parar no hostel Bash and Crash, que segundo a descrição, era um party hostel. E realmente era isso, tanto que a única coisa que realmente valia a pena no local era seu bar. Banheiros horríveis, quartos, pelo que pudemos notar, com roupa de cama de dias, mas com um bar realmente legal, além de ter uma boa localização e bom preço, 30 bolivianos por pessoa, a cama num quarto com 8, num quarto com 6, saia por módicos 40 bolivianos. Fizemos check in e fomos de minivan para a região do cemitério de La Paz. A cidade é enorme, e caótica. A única lei de transito é a buzina e todos os carros são taxis, ou qualquer coisa do tipo, que você paga, e ele te leva para algum lugar. Sempre pergunte ou negocie o preço antes de embarcar, e preferencialmente entre apenas nos que tiverem mais cara de taxi. O Bruno nos contou que foi assaltado por um taxista, que levou seu celular lá em Cochabamba, e essa história me deixou um pouco tenso toda vez que tínhamos de entrar em um taxi. Voltando a La Paz, eu já conhecia a cidade, e tinha gostado mais dela na primeira vez, mas ainda gosto dela, e voltaria uma vez mais numa boa. Nossa ideia era conhecer Tiwanaku e Puma Pumku, que são ruinas pré-incaicas, de estruturas gigantescas, com pedras de mais de 100 toneladas, que eles dizem terem sido construídas com pequenos cinzeis e martelos. Se você assiste o History Channel, já deve ter visto algo sobre essas cidades, principalmente no Alienígenas do Passado.  Da região do cemitério saem as vans e “minibuses” que vão para lá e para a Isla del Sol, de maneira, digamos, mais econômica. O passeio para Tiwanaku e Puma Punku, foi bem barato, algo como 20 ou 30 bolivianos para ida, e mais isso para volta, além dos 80 bolivianos, para entrar nos sítios arqueológicos e nos museus. O passeio sem guia deixa muita coisa aberta, mas como eu já tinha feito ele em 2013 com guia, e sou meio fascinado pela história, pude explicar bastante coisa pra Gabi. Outra dica importante, deixe para comprar todas as lembranças, colares e esculturas possíveis lá, tudo custa 3 ou 4 vezes menos do que nos outros lugares. De lá, voltamos para o hostel, dormimos e no outro dia pela manha seguimos rumo a Isla del Sol.

De La Paz até a Copacabana original, são cerca de 3 horas de viagem, e de Copacabana, mais 2 horas de barco, até a ilha. Isso tudo sai por mais ou menos 50 bolivianos por pessoa. 20 de La Paz a Copacabana, e mais 30 pelo trecho de barco. A ilha tem dois povoados, no Norte e no Sul, cada um com seus respectivos nomes. O lado Norte é mais barato e bonito, porém, tem pouca estrutura, nada de wi-fi, caixas eletrônicos ou qualquer coisa do tipo. Lá se consegue hospedagem com banheiro privado para casal, por cerca de 40 bolivianos, e com banheiro compartilhado, por 30 bolivianos. Todos os lugares têm mais ou menos os mesmos preços. Para comer, ficamos viciados em “salchipapas”, que são batatas fritas, com salsicha também frita, com muito molho de “locoto”, uma espécie de pimenta, parecida com um pimentão pequeno, porém muito mais forte, tomate e outras coisas. Se um dia for a Isla del Sol, não deixe de comer. De lá saem barcos para o lado Sul, por mais ou menos 15 ou 20 bolivianos, sempre peça desconto. É possível cruzar a ilha toda caminhando, de uma ponta até a outra, leva-se entre 3 horas e meia, e 4 horas, e não se assuste com os bolivianos que aparecessem aleatoriamente no meio do nada te cobrando ingressos de 5 ou 10 bolivianos. Se for fazer essa caminhada, leve bananas e água, câmera e um casaco, mesmo o clima sendo de sol, você vai chegar a 4.200 metros de altitude, e o vento pode ser bem gelado. Ah, não se esqueça também de protetor solar, ele vai te salvar de queimaduras bem feias, por que o sol de lá, queima pra cacete. Ficamos três noites na ilha, e sempre que eu puder, vou voltar para aquele lugar, ele realmente é muito lindo, e tem uma energia incrível, é o lugar perfeito para repor as energias e desconectar do mundo e se você tiver a mesma sorte que nós, verá a lua cheia mais linda da sua vida, e um dos mais belos nasceres do sol que se pode ver. Vale realmente a pena.

Tomamos um barquinho até Copacabana novamente, e de lá, fomos para Cusco, e finalmente, chegamos ao Peru. Mas não sem antes passarmos um pouco de raiva com uma família de americanos que não parava de falar alto pra caramba e quase atrasar o nosso role, porque tinha uma filha da puta que pediu um peixe numa parada de 5 minutos que fizemos numas ilhas flutuantes pra turista gringo ver. Único detalhe é que o peixe ainda estava vivo quando ela pediu, então não foi nada rápido, mas mesmo assim deu tudo certo, e seguimos rumo ao Peru.

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Templo de Tiwanaku

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Ao fundo, piramide em reconstrução. 

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Placa de entrada em Puma Punku

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H’s clássicos do Alienigenas do Passado. 

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Nascer do sol na Isla del Sol.

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Inicio da trilha no lado Sul da ilha. 

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Amiga Lhama

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Trecho da trilha pela ilha. 

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Trecho da trilha da ilha.

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Lua cheia que nos presenteou com a presença nas 3 noites.

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