O Lacre – Saulo Matos

boca-fechada

quero ouvir as histórias
não contadas!
aquelas que estão
trancafiadas na solidão
imaginária de seres
loucos,
perdidos pela estrada
sórdida da vida.

aquela sobre a puta
perneta da vila mimosa
que ganhou rios de dinheiro
devido a sua peculiaridade,
ou a daquele
tio distante que junta
os amigos pra beber cerveja e
fazer churrasco
de gato
dizendo que é
alcatra
enquanto todos dizem
“hmmm,
muito boa,
me vê uma
bem mal passada ai
Nei”!

quero ler aquele
livro que ainda não foi
escrito,
daquele jovem autor
que fez um tour
pelos piores e melhores
puteiros
do Rio de Janeiro,
e conheceu a vida
de algumas das
mulheres mais fascinantes
e loucas do estado.

quero saber as coisas
que aquele senhor
ermitão sabe,
mudo e altivo
em um pedra
do sana olhando pro nada,
lambendo costas de sapos
venenosos,
algo me diz que ele
é detentor das respostas
sobre o universo
e tudo mais.

os faladores que
se fodam,
quero saber dos mistérios
que permeiam a consciência
dos beltranos calados
em seus cantos,
observando tudo
com uma vivacidade
mórbida encantadora.

Notei que em algum momento
perdido no tempo
o mundo censurou
a vida
e escorraçou
a beleza da insanidade
pros cantos virgens
do underground
com seus lábios
costurados,
mas sorrindo,
sempre sorrindo!

e por isso
quero absorver tudo
que os condenados
de bocas lacradas
pela vida
vivem e viveram,
pois seus olhos
brilham mais
que a eternidade!

Saulo Matos

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