Desilusão partida – Vítor Oliva

Com este nó na garganta
A fumaça queima mais
Ácido na goela
Nova quimera
A vida me enlouqueceu
Os deuses não estão ao meu lado

Minha doença é fatal
Não consigo explicar a vida
Para mim mesmo
Desisti

Tornei-me uma ameba
Que engole seco
E suspira fundo
Nada melhor
Que ser desconhecido

Morri há muito tempo
Junto com meus sonhos
Junto com a criança ingênua
Que habitava em mim

Se aprochegue, tristeza
Já somos tão íntimos
Vamos fazer amor
Poesia
Qualquer coisa
Que me impeça de perecer

Não há mais massagem
Que cure minha tensão
Meus ombros já são rígidos o suficiente
Para apresentarem um homem mau
Dostói estava certo
É preciso sofrer
Nada mais

Para manter-se vivo
É preciso agonizar
Numa cama, nu
Junto a uma garrafa
E um revólver

A saída está ali
Qualquer das duas opções
De modo inconsciente
Sempre escolho a primeira
Não se surpreenda
Se eu vier a mudar

Jovens, não escolham o meu caminho
Quem sou eu pra dizer?!
Ainda sou jovem
E qualquer reacionário religioso
Possui mais moral que eu

Não ofereço mais
Alimento aos pombos
Eles que venham buscar
Não ofereço mais conselhos
Que se lasquem

Com o tempo,
Você vai se tornando imune
Não sente mais
Não ama
Não vive
Somente suporta, calado
Como qualquer derrotado por ai

Um brinde à noite
À cidade
Eu vou partir
E elas hão de continuar aqui
Transformando em estigma
Novos corações.

 

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