Metamorfose – Vítor Oliva

Minhas virtudes são pássaros mudos
Que cantam o silêncio nas cerejeiras
Que não nascem mais
Meus sonhos são penas varridas
Depenadas no vazio infinito
Que deixou meu sentir para trás

Tornei-me um pedaço de nada
Soterrado por este tudo
Que volveu-me em vestígios desregrados
Destruo-me incessantemente
E minha mente que mente
Constante mente
Enterrou-me em um litígio descontrolado

Minhas cicatrizes que esbaldam luxúria
Trazem o corte dos meus encontros
Desencontrados
Minhas diretrizes que aspiravam minha cura
Se perderam nos meus solavancos
Desesperados

Aqui estou, Senhores
Aguardando por mais um dia inesperado
Mas este espetáculo de horrores
Rega o meu cerne atordoado

Minhas rimas fúteis e inúteis
Baqueiam minhas aliterações
E minha vida com um sentido já perdido
Não se agrega a outros corações

Minha tristeza, num só cumprimento
Aconchegou-se em meu flanco
Para não partir jamais
Boa noite, amuamento
Derramaste sobre mim o teu manto
E quebraste as barreiras do meu cais

Fui não mais que um erro da natureza
E agora em meu peito minh’alma jaz
Transpus a fineza e toda destreza
E o júbilo em mim não bate, nunca mais.

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