Uma nota dissonante em meio ao caos – Vítor Oliva

Eu vejo ódio e desprezo
No semblante de quem grita por paz
Vejo a astúcia dos tiranos
E a hipocrisia dos puritanos
Destruírem qualquer coisa
Que valha a pena
Ser construída

O céu não é mais o mesmo
Dos tempos vindouros
O que almejamos e idealizamos
Se destruiu
Antes de se concretizar

Eu vejo crianças
Perderem a inocência
Que ainda me fazia sorrir
Eu vejo poucas coisas
Que valham um sorriso
Neste mundo

Eu vejo ideais militaristas
Conservadorismo barato
E fundamentalismo religioso
Dominarem as mentes que clamam
Por justiça

Eu vejo adolescentes
Morrendo inocentes nos morros
Os relatórios policiais
Sendo falsificados
E a corregedoria
Lavando as mãos

Eu vejo sensibilidade
Nos mais instáveis
Sofrimento e amargura
Naqueles que sorriem demais

Eu vejo a vida se desintegrando
Nas mentes daqueles
Que ainda mantém o lirismo vivo
Em nossos âmagos
Fuzilados e derrotados sem perdão
Num sistema que preferiu
A superficialidade
À essência

Eu vejo seres amáveis
Amigáveis, profundos
Escornados nas calçadas
Com uma garrafa de vinho barato
Nas mãos

Eu vejo um povo sem esperanças
Com toda a razão
Porque a malícia foi confundida
Com maldade
E quem é bondoso, é ingênuo

Eu vejo apenas o abismo
E uma pequena flor que desabrocha
Bem no fundo
Inalcançável
Mas ela está lá
De alguma forma nos comovendo
E nos enganando.

 

FLOR-PEDRA

 

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