Contos de Quinta: O encontro de Adroaldo

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Finalmente chegou o dia de conhecê-la. Após tantos meses de conversas online, ela, enfim, concordou em saírem para um jantar.

“Mas jantaremos em algum lugar público, ok?” disse-lhe ela. Ele, é claro, concordou docemente, pois compreendia sua apreensão.

Ansioso, Adroaldo levantou-se cedo, foi ao barbeiro aparar barba, cabelo e bigode e, timidamente, penteou os parcos fios restantes para o lado, de modo a tentar esconder a calvície avançada.

Derramou em seu pulso algumas gotas da colônia de jasmim que herdou de sua falecida mãezinha, escovou o terno desbotado, guardado há mais de 20 anos e retirou as bolinhas de naftalina que estavam no bolso. Vestiu-se, conferiu se o terno estava alinhado, olhou-se no espelho e, com um sorriso nos lábios, aprovou o que viu.

Antes de sair de casa, pegou sua pequena maleta preta, companheira de seus vários encontros, conferiu seu conteúdo e, satisfeito, viu que tinha ali tudo o que necessitava para ter uma noite bem sucedida.

Dirigiu-se a uma floricultura distante, escolheu um buquê de rosas vermelhas e pagou em dinheiro à vendedora desconhecida, deixando-lhe, é claro, uma boa gorjeta.

Encontraram-se em um restaurante chique e aconchegante, no centro da pequena cidadezinha. Ela, conforme havia dito, trazia em suas mãos seu livro favorito, Crime e Castigo, de Dostoiévski.

Ele sorriu embevecido.

Ela era tal qual as fotografias que lhe enviara. Baixinha, delgada, por volta de 45 anos, cabelos muito ruivos presos em um coque no alto da cabeça, batom vermelho vivo e estava completamente vestida de negro. Apesar da aparência um tanto quanto sóbria, via-se logo que tinha um fogo nos olhos, uma paixão mal contida.

Ele imediatamente sentiu a ereção enchendo-lhe as calças e sorriu, antegozando o prazer que sentiria. Entregou-lhe as rosas, dizendo-lhe que jamais seriam tão belas quanto ela, que, corando, deu-lhe um sorriso, encantada.

Puxou a cadeira para que ela sentasse, pediu o melhor vinho da carta, aceitou a sugestão do chef com relação ao jantar e cobriu-a de gentilezas durante toda a noite.

Levou-a em casa e perguntou-lhe, timidamente, se poderia subir para tomar um café e prolongar um pouco mais a noite já tão agradável. Ele viu o brilho que perpassou seus olhos momentos antes de ela baixar a cabeça, em sinal de dúvida e timidez, e aguardou pacientemente pelo sim já esperado. Desceu do carro, abriu a porta para ela e acompanhou-a até o interior da casa.

Sentados lado a lado no sofá, bebericaram um café doce e aguado, conversando baixinho, ao som de Robert Johnson.

Adroaldo sentia o coração palpitar. Deixou a xícara sobre a mesa de centro, segurou-lhe o queixo com os dedos, olhou profundamente em seus olhos e disse-lhe, sussurrando, que esta seria uma noite muito especial.

Ela, sorrindo, entreabriu, convidativamente, aqueles lábios vermelhos, e Adroaldo beijou-a, apaixonadamente. Em segundos estavam desnudos e ofegantes. Ele pegou-a no colo, levou-a até a cama e, suavemente, começou a beijar-lhe e lamber-lhe o corpo todo. Ela gemia e arquejava a cada estocada da língua quente de Adroaldo.

Quando ela estava prestes a gozar, Adroaldo disse que havia lhe preparado uma surpresa. Pediu se ela confiava nele e, ao obter uma resposta afirmativa, abriu sua maleta, retirou de lá um rolo de fio de náilon, delicadamente amarrou suas mãos na cabeceira da cama e recomeçou novamente a brincar com seu sexo até fazê-la gritar em êxtase.

Quando ela pediu que a soltasse, pois queria retribuir o prazer que ele lhe havia dado, Adroaldo apenas sorriu e disse que em breve seu prazer seria satisfeito. Despiu-se, dobrou seu terno cuidadosamente e penetrou-a, tão lenta e delicadamente, que a fez implorar por mais e mais.

Quando sentiu-a estremecer e contrair-se em uma explosão de gozo, Adroaldo rapidamente estendeu a mão até o criado-mudo, onde sua maleta estava aberta, pegou de lá seu bisturi afiado e, com precisão cirúrgica, cortou-lhe a garganta de lado a lado.

Frente a visão da vida se esvaindo daqueles olhos arregalados de terror e sentindo o sangue quente dela a jorrar sobre si, Adroaldo teve um longo e forte orgasmo, sentindo-se como alguém que absorve toda a energia vital de outro ser.

Calmamente levantou-se, retirou o preservativo usado, jogou-o na privada e deu a descarga. Debruçou-se novamente sobre o corpo, agora inerte, daquela ruiva tão atraente e, aproveitando o corte que lhe havia feito na garganta, enfiou seus dedos pelo orifício e puxou-lhe a língua totalmente para trás e para fora, deixando-a totalmente exposta. Admirou o lindo trabalho que havia feito e pensou que sua gravata colombiana fora tão bem executada que teria dado orgulho a qualquer cartel da América Latina.

Após vestir-se e limpar cuidadosamente todas as impressões digitais, Adroaldo ajoelhou-se ao lado dela, e, com seu bisturi, desenhou uma grande cruz entre seus seios. Depois, piedosamente, fez uma pequena oração, pedindo a Deus que, em Sua grande misericórdia, perdoasse essa mulher pecadora.

Levantou-se e saiu calmamente, com a consciência tranquila e feliz por ter extirpado desse mundo mais uma puta devoradora de homens puros.

 

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