A consciência e a morte

Nós, humanos, somos a única espécie deste mundo dotada de consciência. Os animais, digamos, irracionais, não têm consciência. Nós, humanos, somos a única espécie deste mundo que sofre de depressão, de esquizofrenia, de paranoia, de síndrome do pânico, e somos a única espécie que também sofre de amor. A este ponto, o que parece é que a única função do homem é sofrer. Os outros animais não ficam balbuciando à espera de descobrir o sentido da felicidade. Os outros animais simplesmente são felizes. Você pode dar alguns pontapés em um cachorro e proferi-lo dizeres agressivos, mas se, em seguida, você for delicado, ele irá voltar com o rabo abanando para você. Ele também será delicado contigo, não obstante a canalhice que você fez com ele.

A vida consciente é uma tragédia no processo evolutivo das espécies. Esses malditos animais dotados de consciência, adquiriram a capacidade de pensar, e usaram isso para promover seu próprio fim e estimular seu próprio fiasco. Construiu-se paradigmas, e torres enormes que abrigam estranhos seres parrudos de gravata que sustentam estes paradigmas. Mais embaixo, nas calçadas, ao pé dessas torres, são abrigados seres não tão estranhos assim, com seus trajes rasgados, terrivelmente sujos, suas barbas extensas e seu cheiro peculiar de carnificina. Estes seres, estendem a mão acompanhada de um olhar piedoso, direcionado àqueles que acabam de sair das portas das torres, carregando suas maletas em uma das mãos, enquanto falam ao celular com a outra, andando num ritmo acelerado, sem tempo nem intenção de olhar para aqueles que os pedem, para que não sintam a tragédia sustentada por eles, como numa forma de se confortarem.

Esses seres estranhos, demasiadamente estranhos, são um arquétipo do desespero, sedentos por criarem mais desespero para si próprios, para que tenham bastante dinheiro destinado a criar seus filhos, também desesperados, e ensinar-lhes a se desesperarem mais, pois, neste mundo, o desespero é sinônimo de realização e felicidade. Esses seres estranhos, demasiadamente estranhos, criaram divisões territoriais, e criaram exércitos militares, a fim de proteger seu território de outros seres, também estranhos, que também criaram exércitos militares, e também querem proteger seu território. A proteção do próprio território, na mente desses seres estranhos, é sinônimo de honra e bravura, e eles têm extremo orgulho disto. Esses seres estranhos, demasiadamente estranhos, criaram normas pautadas numa tentativa de gerarem benefícios a si próprios, mas benefícios destinados somente a estes seres bastante estranhos, não aos menos estranhos, que só querem um canto para viverem em paz, mas acabam sucumbindo.

Criaram, também, corporações hierárquicas, destinadas a controlar quem quer que ouse contestar os paradigmas outrora estabelecidos. Nestas corporações, você não pode contestar, nem desobedecer, nem infringir o que lhe foi atribuído. Você se torna uma espécie de máquina, que não pensa por si próprio e somente executa, conforme as vontades dos seres ainda mais estranhos que você. E toda essa babaquice que você, tendo sofrido uma intensa lavagem cerebral, faz sem raciocinar direito, é somente feita para sustentar essas corporações falidas, e também para você ter o que comer. Esses seres estranhos, demasiadamente estranhos, se contradizem o tempo inteiro, mas acreditam sempre estar falando a verdade. São incrivelmente dotados de certezas, e as certezas desses seres estranhos se divergem umas das outras, mas eles não percebem isso, e continuam fazendo afirmações inconsequentes.

Criaram, também, regimes governamentais em que um único ser dentre esses seres estranhos, tem pleno poder sobre os demais, podendo impor suas convicções aos seus subordinados, aplicando sanções severas àqueles que não cumprirem com o que foi estabelecido. E esses seres que aceitam a subordinação, que são mais estranhos ainda, simplesmente demonstram anuência frente a isto. Esses seres estranhos, demasiadamente estranhos, criaram a ideologia de que liberdade é trabalhar exaustivamente durante décadas de sua única vida, para poder quitar seus vencimentos a tempo, para que tenha direito a uma espécie de papel estampado com o rosto de um estranho, qual você pode usar para poder viver o que lhe resta de sua já miserável vida.

Esses seres estranhos, demasiadamente estranhos, assim como suas afirmações, são totalmente inconsequentes, e farão com que outros seres menos estranhos sofram em nome do desespero daqueles. Farão com que os sensíveis sejam chacota, e que a estes sejam destinados julgamentos equivocados, partindo das premissas cheias de hipérboles, que aos olhos dos menos informados, parecem convincentes. Esses seres estranhos, demasiadamente estranhos, morrerão pelas suas próprias mãos, devido ao monstro que criaram, mas não sabem disso. Pois esses seres estranhos, demasiadamente estranhos, não assimilaram que vão perecer perante sua consciência.

pedinte_chinesa

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